"Em todos os desajustes humanos e em todas as calamidades sociais que
atormentam o mundo, é imperioso não esquecer que o problema essencial somos ainda
nós mesmos.
O lar, em verdade, é sublime organização que assegura as bênçãos da vida,
mas se os cônjuges responsáveis por seus fundamentos não abraçam o sacrifício, na
edificação dos próprios filhos, o instituto doméstico será tão somente um asilo de corpos
em trânsito para a incessante renovação.
O templo é obra celeste no chão planetário objetivando a elevação da criatura;
entretanto, se o sacerdote chamado a conduzi-lo não sabe renunciar, a favor dos outros,
em vão se erguem altares e se improvisam sermões.
O educandário é uma casa de luz nas sombras da Terra; contudo, se o professor
trazido a valorizá-lo não sabe sofrer pela felicidade dos aprendizes, debalde enfileirar-seão
monumentos e programas de ensino.
O tribunal é um santuário para a manifestação da justiça; no entanto, se o
magistrado que lhe preside as ações não se honra no culto da reta consciência,
inutilmente surgirão leis e processos para a exaltação do equilíbrio.
O hospital é refúgio santo destinado ao socorro da Humanidade enfermiça, mas
se o médico responsável por sua manutenção foge ao espírito de serviço, sem qualquer
proveito aparecerão remédios e tratamentos.
O campo é o celeiro vivo do pão que sustenta a mesa; todavia, se o lavrador
chamado a sulcá-lo deserta do suor e da enxada, com que lhe cabe nutri-lo, em vão o
milagre das sementes se repetirá sob a inspiração da Divina Bondade, em favor da
carência humana.
Em todo problema aflitivo da Terra, portanto, lembremo-nos de que a solução
do progresso e da paz principia em nós, de vez que realmente a ordem é de todos e a
felicidade é felicidade geral, quando a ordem e a felicidade começam em cada um."
(Emmanuel, na obra "Correio Fraterno", Espíritos Diversos/Francisco Cândido Xavier)
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