terça-feira, 27 de dezembro de 2011

"A ARMA INFALÍVEL"


"Certo dia, um homem revoltado criou um poderoso e longo pensamento de
ódio, colocou-o numa carta rude e malcriada e mandou-o para o chefe da
oficina de que fora despedido.
O pensamento foi vazado em forma de ameaças cruéis. E quando o diretor
do serviço leu as frases ingratas que o expressava, acolheu-o, desprevenidamente,
no próprio coração, e tornou-se furioso sem saber porquê.
Encontrou, quase de imediato, o sub-chefe da oficina e, a pretexto de enxergar
uma pequena peça quebrada, desfechou sobre ele a bomba mental que trazia
consigo.
Foi a vez do sub-chefe tornar-se neurastênico, sem dar o motivo. Abrigou a
projeção maléfica no sentimento, permaneceu amuado várias horas e, no
instante do almoço, ao invés de alimentar-se, descarregou na esposa o
perigoso dardo intangível. Tão só por ver um sapato imperfeitamente
engraxado, proferiu dezenas de palavras feias; sentiu-se aliviado e a mulher
passou a asilar no peito a odienta vibração, em forma de cólera inexplicável.
Repentinamente transtornada pelo raio que a ferira e que, até ali, ninguém
soubera remover, encaminhou-se para a empregada que se incumbia do
serviço de calçados e desabafou. Com palavras indesejáveis inoculou-lhe no
coração o estilete invisível.
Agora, era uma pobre menina quem detinha o tóxico mental. Não podendo
despejá-lo nos pratos e xícaras ao alcance de suas mãos, em vista do enorme
débito em dinheiro que seria compelida a aceitar, acercou-se de velho cão,
dorminhoco e paciente, e transferiu-lhe o veneno imponderável, num pontapé
de largas proporções.
O animal ganiu e disparou, tocado pela energia mortífera, e, para livrar-se
desta, mordeu a primeira pessoa que encontrou na via pública.
Era a senhora de um proprietário vizinho que, ferida na coxa, se enfureceu
instantânea-mente, possuída pela força maléfica. Em gritaria desesperada, foi
conduzida a certa farmácia; entretanto, deu-se pressa em transferir ao enfermeiro
que a socorria a vibração amaldiçoada. Crivou-o de xingamentos e
esbofeteou-lhe o rosto.
O rapaz muito prestativo, de calmo que era, converteu-se em fera
verdadeira. Revidou os
golpes recebidos com observações àsperas e saiu, alucinado, para a
residência, onde a velha e devotada mãezinha o esperava para a refeição da
tarde. Chegou e descarregou sobre ela toda a ira de que era portador.
— Estou farto! — bradou — a senhora é culpada dos aborrecimentos que
me perseguem! Não suporto mais esta vida infeliz! Fuja de minha frente!...
Pronunciou nomes terríveis. Blasfemou. Gritou, colérico, qual louco.
A velhinha, porém, longe de agastar-se, tomou-lhe as mãos e disse-lhe
com naturalidade e brandura:
— Venha cá, meu filho! Você está cansado e doente! Sei a extensão de
seus sacrifícios por mim e reconheço que tem razão para lamentar-se. No
entanto, tenhamos bom ânimo! Lembremo-nos de Jesus!... Tudo passa na
Terra. Não nos esqueçamos do amor que o Mestre nos legou...
Abraçou-o, comovida, e afagou-lhe os cabelos!
O filho demorou-se a contemplar-lhe os olhos serenos e reconheceu que
havia no carinho materno tanto perdão e tanto entendimento que começou a
chorar, pedindo-lhe desculpas.
Houve então entre os dois uma explosão de íntimas alegrias. Jantaram
felizes e oraram em sinal de reconhecimento a Deus.
A projeção destrutiva do ódio morrera, afinal, ali, dentro do lar humilde,
diante da força infalível e sublime do amor."

("Alvorada Cristã", Neio Lúcio/Francisco Cândido Xavier)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

"PASSO ACIMA"


"Burilamento moral e prática do bem constituem o clima da caminhada para a
frente, no Reino do Espírito, mas não podemos esquecer que todo obstáculo é marcador
de oportunidade do passo acima, na senda da elevação.
Na escola, forma-se o aluno, teste a teste, para que se lhe garanta o
aprendizado cultural.
No educandário da vida, o espírito, de prova em prova, adquire o mérito
indispensável para a escalada evolutiva.
Toda lição guarda objetivo nobilitante, que se deve alcançar, através do estudo.
Qualquer dificuldade, por isso, se reveste de valor espiritual, que precisamos
saber extrair para que faça acompanhar do proveito justo.
Em qualquer estabelecimento de ensino, variam as matérias professadas.
Em toda a existência, as instruções se revelam com caráter diverso.
É assim que a hora do passo acima nos surge à frente, com expressões sempre
novas, possibilitando-nos a assimilação de qualidades superiores, em todos os sentidos.
Tentação, ― degrau de acesso à fortaleza espiritual.
Ofensa recebida, ― ocasião de ganhar altura pela trilha ascendente do perdão.
Violência que nos fira ― ensejo para a aquisição de humildade.
Sofrimento ― vereda para a obtenção de paciência.
Necessidade no próximo significado em nós o impositivo da prestação de
serviço.
Quando a incompreensão ou a intolerância repontam nos outros, terá chegado
para nós o dia de entendimento e serenidade.
Não te revoltes, nem te abatas, quando atribulações te visitem. Desespero e
rebeldia, além de gerarem conflito e lágrimas, são das respostas mais infelizes que
podemos dar aos desafios edificantes da vida.
Deus não nos confiaria problemas, se os nossos problemas não nos fossem
necessários.
Todo tempo de aflição é tempo do passo acima. De nós depende permanecer
acomodados à sombra ou avançar, valorosamente, para a obtenção de mais luz."

("Alma e Coração", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

"SERENIDADE SEMPRE"


"Todo homem sábio é sereno.
A serenidade é conquista que se consegue a esforço pessoal e
passo a passo.
Pequenos desafios que são superados; irritação que se faz
controlada; desajustes emocionais corrigidos; vontade bem direcionada;
ambição freada, são experiências para a aquisição da
serenidade.
Um Espírito sereno já se encontrou consigo próprio, sabendo
o que, exatamente, deseja da vida.
A serenidade harmoniza, exteriorizando-se de forma agradável
para os circunstantes.
Inspira confiança, acalma e propõe afeição.
O homem sereno já venceu grande parte da luta.
*
Que nenhuma agressão exterior te perturbe, levando-te à irritação,
ao desequilíbrio.
Mantém-te sereno em todas as realizações.
A tua paz é moeda arduamente conquistada, que não deves atirar
fora por motivos irrelevantes.
Os tesouros reais, de alto valor, são aqueles de ordem íntima,
que ninguém toma, jamais se perdem e sempre seguem com a
pessoa.
Tua serenidade, tua gema preciosa."

("Episódios Diários", Joanna de Ângelis/Divaldo Pereira Franco)

domingo, 25 de dezembro de 2011

"NO CAMPO DO ESPÍRITO"


"Reunião pública de 1-5-61.
1ª Parte, cap. VII, § 30."


"Afirmas a sincera disposição de buscar a Esfera Superior, entretanto...
Surpreendeste lutas enormes, no próprio lar, onde os mais amados te sonegam entendimento;
observaste a queda dos melhores companheiros que te exercitavam na elevação; recebeste a lama
da calúnia sobre as mãos limpas; viste amigos queridos dependurarem-te o nome no varal da
suspeita; notaste que as tuas mais belas palavras rolaram no gelo da indiferença; recolheste escárnio
em troca de amor...
Todos esses problemas, no entanto, são desafios da vida a te pedirem trabalho.
Seja qual seja a dificuldade, não acuses, nem desanimes.
No campo do espírito, a injuria é lodo verbal.
Queixa é semente morta.
Reclamação é fuga estudada.
Censura é ponta de espinho.
Melindre é praga destruidora.
Irritação é tempo perdido.
Ideal inoperante é água parada.
Desalento é ramo seco.
Ninguém avança sem movimento.
Não há evolução, nem resgate, sem ação.
Evolução é suor indispensável.
Resgate é suor necessário com o pranto da consciência.
Nossas dores respondem, assim, pelas falhas que demonstremos ou pelas culpas que contraímos.
A Lei estabelece, porém, que as provas e as penas se reduzam, ou se extingam, sempre que o
aprendiz do progresso ou o devedor da justiça se consagre às tarefas do bem, aceitando,
espontaneamente, o favor de servir e o privilégio de trabalhar."

("Justiça Divina", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

"O PROBLEMA"


"Em todos os desajustes humanos e em todas as calamidades sociais que
atormentam o mundo, é imperioso não esquecer que o problema essencial somos ainda
nós mesmos.
O lar, em verdade, é sublime organização que assegura as bênçãos da vida,
mas se os cônjuges responsáveis por seus fundamentos não abraçam o sacrifício, na
edificação dos próprios filhos, o instituto doméstico será tão somente um asilo de corpos
em trânsito para a incessante renovação.
O templo é obra celeste no chão planetário objetivando a elevação da criatura;
entretanto, se o sacerdote chamado a conduzi-lo não sabe renunciar, a favor dos outros,
em vão se erguem altares e se improvisam sermões.
O educandário é uma casa de luz nas sombras da Terra; contudo, se o professor
trazido a valorizá-lo não sabe sofrer pela felicidade dos aprendizes, debalde enfileirar-seão
monumentos e programas de ensino.
O tribunal é um santuário para a manifestação da justiça; no entanto, se o
magistrado que lhe preside as ações não se honra no culto da reta consciência,
inutilmente surgirão leis e processos para a exaltação do equilíbrio.
O hospital é refúgio santo destinado ao socorro da Humanidade enfermiça, mas
se o médico responsável por sua manutenção foge ao espírito de serviço, sem qualquer
proveito aparecerão remédios e tratamentos.
O campo é o celeiro vivo do pão que sustenta a mesa; todavia, se o lavrador
chamado a sulcá-lo deserta do suor e da enxada, com que lhe cabe nutri-lo, em vão o
milagre das sementes se repetirá sob a inspiração da Divina Bondade, em favor da
carência humana.
Em todo problema aflitivo da Terra, portanto, lembremo-nos de que a solução
do progresso e da paz principia em nós, de vez que realmente a ordem é de todos e a
felicidade é felicidade geral, quando a ordem e a felicidade começam em cada um."

(Emmanuel, na obra "Correio Fraterno", Espíritos Diversos/Francisco Cândido Xavier)

sábado, 24 de dezembro de 2011

"OBSESSÃO E JESUS"


"Reunião pública de 4/3/60
Questão nº 237"

"Cristãos eminentes, em variadas escolas do Evangelho, asseveram na
atualidade que o problema da obsessão teria nascido no culto da mediunidade,
à luz da Doutrina Espírita, quando a Doutrina Espírita é o recurso para a
supressão do flagelo.
Malham médiuns, fazem sarcasmo, condenam a psicoterapia em favor dos
desencarnados sofredores e, por vezes, atingem o disparate de afirmar que a
prática medianímica estabelece a loucura.
Esquecem-se, no entanto, de que a vida de Jesus, na Terra, foi uma
batalha constante e silenciosa contra obsessões, obsidiados e obsessores.
O combate começa no alvorecer do apostolado divino.
Depois da resplendente consagração na manjedoura,
o Mestre encontra o primeiro grande obsidiado na pessoa
de Herodes, que decreta a matança de pequeninos, com
o objetivo de aniquilá-lo.
Mais tarde, João BatIsta, o companheiro de eleição que vem ao mundo
secundar-lhe a obra sublime, sucumbe degolado, em plena conspiração de
agentes da sombra.
Obsessores cruéis não vacilam em procurá-lo, nas orações do deserto,
verificando-lhe os valores do sentimento.
A cada passo, surpreende Espíritos infelizes senhoreando médiuns
desnorteados.
O testemunho dos apóstolos é sobej amente inequívoco.
Relata Mateus que os obsidiados gerasenos chegavam a ser ferozes;
refere-se Marcos ao obsidiado de Cafarnaum, de quem desventurado obsessor
se retira clamando contra o Senhor em grandes vozes; narra Lucas o episódio
em que Jesus realiza a cura de um jovem lunático, do qual se afasta o
perseguidor invisível, logo após arrojar o doente ao chão, em convulsões
epileptóides; e reporta-se João a israelitas positivamente obsidiados, que apedrej
am o Cristo, sem motivo, na chamada Festa da Dedicação.
Entre os que lhe comungam a estrada, surgem obsessões e psicoses
diversas.
Maria de Magdala, que se faria a mensageira da ressurreição, fora vitima de
entidades perversas.
Pedro sofria de obsessão periódica.
Judas era enceguecido em obsessão fulminante.
Caifás mostrava-se paranóico.
Pilatos tinha crises de medo.
No dia da crucificação, vemos o Senhor rodeado por obsessões de todos os
tipos, a ponto de ser considerado, pela multidão, inferior a Barrabás, malfeitor e
obsesso vulgar.
E, por último, como se quisesse deliberadamente legar-nos preciosa lição de
caridade para com os alienados mentais, declarados ou não, que enxameiam
no mundo, o Divino Amigo prefere partir da Terra na intimidade de dois ladrões,
que a Ciência de hoje classificaria por cleptomaníacos pertinazes."

("Seara dos Médiuns", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

"CHEFIA E SUBALTERNIDADE"


"Não olvidar que o chefe é aquela pessoa que se responsabiliza pelo
trabalho da equipe.
A melhor maneira de reverenciar a quem dirige, será sempre a
execução fiel das próprias obrigações.
Quem administra efetivamente precisa da colaboração de quem
obedece, mas se quem obedece necessita prestar atenção e respeito
a quem administra, quem administra necessita exercer bondade e
compreensão para quem obedece, a fim de que a máquina do
trabalho funcione com segurança.
Orientar é devotar‐se.
Aquele que realmente ensina éaquele que mais estuda.
Um chefe nã tem obrigaçã de revelar ao subordinado os
problemas que lhe preocupam o céebro, tanto quanto o
subordinado nã tem o dever de revelar ao chefe os problemas que
porventura carregue no coração."

("Agenda Cristã", André Luiz/Francisco Cândido Xavier)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

"AÇÃO DE GRAÇAS"


"Tomou o cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos,
dizendo: Bebei dele todos”. (MATEUS, 26:27).

"No mundo, as festividades gratulatórias registram invariavelmente os triunfos
passageiros da experiência física.
Lautos banquetes comemoram reuniões da família consangüínea, músicas alegres
assinalam o término de contendas na justiça dos homens, nas quais, muitas vezes, há
vítimas ignoradas, soluçando na sombra.
Com JESUS, no entanto, vemos um ato de ação de graças que parece estranho à
primeira vista.
O Mestre Divino ergue hosanas ao Pai, justamente na hora em que vai partir ao
encontro do sacrifício supremo.
Conhecerá desoladora solidão no Jardim das Oliveiras...
Padecerá injuriosa prisão...
Meditará na incompreensão de Judas...
Ver-se-á negado por Simão Pedro...
Experimentará o escárnio público...
Será preterido por Barrabás, o delinqüente infeliz...
Sorverá fel, sob a coroa de espinhos...
Recolherá o abandono e o insulto.
Sofrerá injustificável condenação...
E receberá a morte na cruz entre dois malfeitores...
Entretanto, agradece...
É que na lógica do senhor, acima de tudo, brilham os valores eternos do espírito.
O CRISTO louva o Todo-Misericordioso pela oportunidade de completar com
segurança o seu Divino Apostolado na Terra, rendendo graças pela confiança com que o
Pai o transforma em exemplo vivo para a redenção das criaturas humanas, embora essa
redenção lhe custe martírio e flagelação, suor e lágrimas.
Não te percas desse modo, em lances festivos sobre pretensas conquistas na carne
que a morte confundirá hoje ou amanhã, mas, no turbilhão da luta que santifica e
aperfeiçoa, saibamos agradecer os recursos com que Deus nos aprimora para a beleza
da luz e para a glória da vida."

("Palavras da Vida Eterna", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)