sexta-feira, 25 de novembro de 2011

"ORAÇÃO E CURA"


Recorres à oração, junto desse ou daquele enfermo, e sofres, quando a
restauração parece tardia.
Entretanto, reflete na Lei Divina a que todos, obrigatoriamente, nos
entrosamos.
Isso não quer dizer devamos ignorar o martírio silencioso dos
companheiros em calamidade do campo físico.
Para tanto, seria preciso não haver sentimento.
Sabemos, sim, quanto dói seguir, noite a noite, a provação dos familiares,
em moléstias Irreversíveis; conhecemos, de perto, a angústia dos pais que
recolhem no coração o suplício dos filhinhos torturados no berço; partilhamos a
dor dos que gemem nos hospitais como sentenciados à pena última, e
assinalamos o tormento recôndito dos que fitam, inquietos, em doentes
amados, os olhos que se embaciam...
*
Observa, porém, o quadro escuro das transgressões humanas que nos
rodeiam.
Pensa nos crimes perfeitos que injuriam a Terra; na insubmissão dos que
se rendem às sugestões do suicídio, prejudicando os planos da Eterna
Sabedoria e criando aflitivas expiações para si mesmos; nos processos inconfessáveis
dos que usam a inteligência para agravar as necessidades dos
semelhantes e na ingratidão dos que convertem o próprio lar em reduto do
desespero e da morte...
Medita nos torvos compromissos dos que se acumpliciam agora com os
domínios do mal, e perceberás que a enfermidade é quase sempre o bem
exprimindo reajuste, sustando-nos a queda em delitos maiores.
*
Organizemos, assim, o socorro da oração, junto de todos os que padecem
no corpo dilacerado, mas, se a cura demora, jamais nos aflijamos.
Seja o leito de linho, de seda, palha ou pedra, a dor é sempre a mesma e a
prece, em toda parte, é bênção, reconforto, amparo, luz e vida.
Lembremo-nos, no entanto, de que lesões e chagas, frustrações e defeitos,
em nossa forma externa, são remedios da alma que nós mesmos pedimos à
farmácia de Deus.

("Seara dos Médiuns", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

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