domingo, 30 de junho de 2013
"ELE ATENDERÁ"
"Quando atravesses um instante considerado terrível, na jornada redentora da Terra,
recorda que o desespero é capaz de suprimir-te a visão ou barrar-te o caminho.
Para muitos, esse minuto estranho aparece na figura da enfermidade; para outros, na
forma da cinza com que a morte lhes subtrai temporariamente o sorriso de um ente
amado.
Em muitos lugares, guarda a feição de crise espiritual, aniquilando a esperança; e, em
outros ainda, ei-lo que surge por avalanche de provas encadeadas, baldando a energia.
Ninguém escapa aos topes de luta, que diferem para cada um de nós, segundo os
objetivos que procuramos nas conquistas do Espírito.
Esse jaz atormentado de tentações, aquele padece abandono, aquele outro chora
oportunidades perdidas e mais outro lamenta os desenganos da própria queda.
Se chegaste a instante assim, obscurecido por nuvens de lágrimas, arrima-te à paciência,
ouve a fé, aconselha-te com a reflexão e medita com a serenidade, mas não procures a
opinião de esmorecimento.
Desânimo é fruto envenenado da ilusão que alimentamos a nosso respeito. Ele nos faz
sentir pretensamente superiores a milhares de irmãos que, retendo qualidades não menos
dignas que as nossas, carregam por amor fardos de sacrifício, dos quais diminutas
parcelas nos esmagariam os ombros.
Venha o desânimo como vier, certifica-te de que a forma ideal para arredar-lhe a sombra
será compreender, auxiliar e servir sempre.
Guardes o coração conturbado ou ferido, magoado ou desfalecente, serve em favor dos
que te amparem ou desajudem, entendam ou caluniem.
Ainda que todos os apoios humanos te falhem de improviso, nada precisas temer.
Tens contigo, à frente e à retaguarda, à esquerda e à direita, a força do companheiro
invisível que te resolve os problemas sem perguntar e que te provê com todos os recursos
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indispensáveis à paz e à sustentação de teus dias. Ele que ama, trabalha e serve sem
descanso, espera que ames, trabalhes e sirvas quanto possas.
Sem que o saibas, ele te acompanha os pequeninos progressos e se regozija com os teus
mais íntimos triunfos, assegurando-te tranqüilidade e vitória. Ele que te salvou ontem,
salvará também hoje.
Em qualquer tempo, lugar, dia ou circunstância, em que te sintas à beira da queda na
tentação ou na angustia, chama por Ele.
Ele te atenderá pelo nome de Deus."
("Rumo Certo", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)
quinta-feira, 27 de junho de 2013
"A VIDA..."
(“Há Dois Mil Anos, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)
terça-feira, 25 de junho de 2013
"NOSSO PROBLEMA É SEMPRE O MAIOR"
"Ele era jovem, bonito e herdeiro de vasta fortuna. Requisitado pelas moças, por onde quer que transitasse. Algumas, porque lhe admiravam a juventude, o cavalheirismo, a beleza.
Outras, porque nele vislumbravam a segurança econômica, que poderia ser alcançada por meio de vantajoso consórcio matrimonial.
Transcorriam felizes os dias até o momento em que um acidente lhe retirou a capacidade visual.
A revolta se instalou. Como viver sem o precioso sentido da visão?
Os médicos consultados não foram unânimes em seus prognósticos. Uns afirmaram que a questão era irreversível. Outros acenaram-lhe com a possibilidade de tornar a ver.
Como o tempo se arrastasse, sem alteração do quadro e desejando que o filho se adequasse à nova realidade, o pai contratou profissional orientadora.
A senhora, amadurecida na experiência, pacientemente foi vencendo a revolta do jovem e lhe mostrou como ele poderia se locomover pela casa, subindo e descendo as escadas, transitando de um aposento a outro.
Convidou-o a aguçar a audição e lhe demonstrou a diferença entre o ruído do café sendo despejado na xícara vazia e quando estava quase cheia.
Ensinou-o a reconhecer, pelo tato, móveis e objetos, burilando-lhe a capacidade de percepção.
Ante fracassos, pequenas quedas ou a incapacidade de realizar algo que desejava, o jovem ficava muito angustiado, em quase desespero.
Achava-se um inútil. Nessas horas, a bondosa professora lhe falava com calma, incentivando-o a tudo superar.
Irritado, ele respondia de forma grosseira e lhe dizia que para ela tudo era muito fácil, pois podia enxergar.
Sem se alterar, ela prosseguia no seu ensino.
Então, um dia, algo inusitado aconteceu. Ele percebeu um raio de sol lhe ferindo os olhos.
Infinitamente alegre, deu-se conta que voltara a enxergar. Entre gritos de alegrias, chamou o pai, o irmão, comemorando com efusivos abraços a ventura.
Por fim, lembrou-se da orientadora e correu a dar-lhe a notícia.
Então, e somente então, descobriu: aquela a quem tantas vezes ele ofendera, com palavras ásperas, dizendo que para ela tudo era fácil por poder enxergar, era uma senhora totalmente cega.
Arrependido, abraçou-a e lhe rogou perdão...
* * *
Quantas vezes teremos agido como esse jovem? Quantas vezes, em repartições públicas, teremos dito a quem nos atende que ele não pode aquilatar do nosso problema porque ele não os tem?
Quantas vezes, em ambientes hospitalares, para atendentes e enfermeiros, teremos manifestado nossa revolta, dizendo que eles não sabem o que é estar doente ou sentir dor?
Quantas vezes teremos ferido um coração em chaga viva, dizendo que ele é insensível e não pode nos entender porque nunca sofreu na vida?
* * *
Não sabemos quanta dor esconde um sorriso. O profissional de qualquer área sofre tanto ou mais do que nós mesmos.
E se não esbraveja, nem manifesta sua problemática, é porque aprendeu a se superar, para melhor servir.
Aprendeu a represar as lágrimas para enxugar o pranto alheio. Exercitou-se no suportar agruras a fim de estender o bálsamo nas alheias dores.
Pensemos nisso. As aparências nem sempre demonstram a realidade e onde pensamos que somente haja felicidade, escondem-se, por vezes, dolorosas chagas. "
Redação do Momento Espírita.
Em 24.6.2013
segunda-feira, 24 de junho de 2013
sábado, 22 de junho de 2013
"A DIFERENÇA"
"A reunião alcançava a parte final. E, na organização mediúnica, Bezerra de Menezes retinha a palavra.
O benfeitor desencarnado distribuía consolações, quando um companheiro o alvejou com azedume:
— Bezerra, não concordo com tanta máscara no ambiente espírita. Estou cansado de tartufismo. Falo contra mim mesmo. Posso, acaso, dizer que sou espírita-cristão? Vejo-me fustigado por egoísmo e intolerância, avareza e ciúme; cometo desatenções e disparates; reconheço-me freqüentemente caído em maledicência e cobiça; ainda não venci a desconfiança, nem a propensão para ressentir-me; quando menos espero, chafurdo-me nos erros da vaidade e do orgulho; involuntariamente, articulo ofensas contra o próximo; a ambição mora comigo e, por isso, agrido os meus semelhantes com toda a força de minha brutalidade; a crítica, o despeito, a maldade e a imperfeição me seguem constantemente. Posso declarar-me espírita com tantos defeitos?
O venerável orientador espiritual respondeu, sereno:
— Eu também, meu amigo, ainda estou em meio de todas essas mazelas e sou espírita-cristão...
— Como assim? — revidou o consulente agitado.
— Perfeitamente — concluiu Bezerra, sem alterar-se. — Todas essas qualidades negati-vas ainda me acompanham... Só existe, porém, um ponto, meu caro, que não posso esquecer. É que, antes de ser espírita-cristão, eu fazia força para correr atrás de todas elas e agora, que sou cristão e espírita, faço força para fugir delas todas...
E, sorrindo:
— Como vê, há muita diferença."
(Irmão X, na obra "Momentos de Ouro", Espíritos Diversos/Francisco Cândido Xavier)
terça-feira, 18 de junho de 2013
"APASCENTA"
“Apascenta as minhas ovelhas.”
Jesus (João, 21:17)
"Significativo é o apelo do Divino Pastor ao coração amoroso de Simão Pedro para que lhe continuasse o apostolado.
Observando na Humanidade o seu imenso rebanho, Jesus não recomenda medidas drásticas em favor da disciplina compulsória.
Nem gritos, nem xingamentos.
Nem cadeia, nem forca.
Nem chicote, nem vara.
Nem castigo, nem imposição.
Nem abandono aos infelizes, nem flagelação aos transviados.
Nem lamentação, nem desespero.
“Pedro, apascenta as minhas ovelhas!”
Isso equivale a dizer: — Irmão, sustenta os companheiros mais necessitados que tu mesmo.
Não te desanimes perante a rebeldia, nem condenes o erro, do qual a lição benéfica surgirá depois.
Ajuda ao próximo, ao invés de vergastá-lo.
Educa sempre.
Revela-te por trabalhador fiel.
Sê exigente para contigo mesmo e ampara os corações enfermiços e frágeis que te acompanham os passos.
Se plantares o bem, o tempo se incumbirá da germinação, do
desenvolvimento, da florescência e da frutificação, no instante oportuno.
Não analises, destruindo.
O inexperiente de hoje pode ser o mentor de amanhã.
Alimenta a "boa parte" do teu irmão e segue para diante.
A vida converterá o mal em detritos e o Senhor fará o resto."
("Fonte Viva",Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)
sábado, 15 de junho de 2013
"SEPULCROS ABERTOS"
"A sua garganta é um sepulcro aberto.”
Paulo (Romanos, 3:13)
"Reportando-se aos espíritos transviados da luz, asseverou Paulo que têm a garganta semelhante a sepulcro aberto e, nessa imagem, podemos emoldurar muitos companheiros, quando se afastam da Estrada Real do Evangelho para os trilhos escabrosos do personalismo delinqüente.
Logo se instalam no império escuro do "eu", olvidando as obrigações que nos situam no Reino Divino da Universalidade, transfigura .se lhes a garganta em verdadeiro túmulo descerrado. Deixam escapar todo o fel envenenado que lhes transborda do íntimo, à maneira dum vaso de lodo, e passam a sintonizar, exclusivamente, com os males que ainda apoquentam vizinhos, amigos e companheiros.
Enxergam apenas os defeitos, os pontos frágeis e as zonas enfermiças das pessoas de boa-vontade que lhes partilham a marcha.
Tecem longos comentários no exame de úlceras alheias, ao invés de curá-las.
Eliminam precioso tempo em palestras compridas e feri nas, enegrecendo as intenções dos outros.
Sobrecarregam a imaginação de quadros deprimentes, nos domínios da suspeita e da intemperança mental.
Sobretudo, queixam-se de tudo e de todos.
Projetam emanações entorpecentes de má-fé, estendendo o desânimo e a desconfiança contra a prosperidade da santificação, por onde passam, crestando as flores da esperança e aniquilando os frutos imaturos da caridade.
Semelhantes aprendizes, profundamente desventurados pela conduta a que se acolhem, afiguram .se nos, de fato, sepulcros abertos...
Exalam ruínas e tóxicos de morte.
Quando te desviares, pois, para o resvaladiço terreno das lamentações e das acusações, quase sempre indébitas, reconsidera os teus passos espirituais e recorda que a nossa garganta deve ser consagrada ao bem, pois só assim se expressará, por ela, o verbo sublime do Senhor."
("Jesus no Lar", Neio Lúcio/Francisco Cândido Xavier)
sexta-feira, 14 de junho de 2013
"O AUXÍLIO MÚTUO
"Diante dos companheiros, André leu expressivo trecho de Isaías e falou, comovido, quanto às necessidades da salvação.
Comentou Mateus os aspectos menos agradáveis do trabalho e Filipe opinou que é sempre muito difícil atender à própria situação, quando nos consagramos ao socorro dos outros.
Jesus ouvia os apóstolos em silêncio e, quando as discussões, em derredor, se enfraqueceram, comentou, muito simples:
— Em zona montanhosa, através de região deserta, caminhavam dois velhos amigos, ambos enfermos, cada qual a defender-se, quanto possível, contra os golpes do ar gelado, quando foram surpreendidos por uma criança semimorta, na estrada, ao sabor da ventania de inverno.
Um deles fixou o singular achado e clamou, irritadiço: — “Não perderei tempo. A hora exige cuidado para comigo mesmo. Sigamos à frente”.
O outro, porém, mais piedoso, considerou:
— “Amigo, salvemos o pequenino. É nosso irmão em humanidade”.
— “Não posso — disse o companheiro, endurecido —, sinto-me cansado e doente. Este desconhecido seria um peso insuportável. Temos frio e tempestade. Precisamos ganhar a aldeia próxima sem perda de minutos”.
E avançou para diante em largas passadas.
O viajor de bom sentimento, contudo, inclinou-se para o menino estendido, demorou-se alguns minutos colando-o paternalmente ao próprio peito e, aconchegando-o ainda mais, marchou adiante, embora menos rápido.
A chuva gelada caiu, metódica, pela noite a dentro, mas ele, sobraçando o valioso fardo, depois de muito tempo atingiu a hospedaria do povoado que buscava. Com enorme surpresa porém, não encontrou aí o colega que o precedera. Somente no dia imediato, depois de minuciosa procura, foi o infeliz viajante encontrado sem vida, num desvão do caminho alagado.
Seguindo à pressa e a sós, com a idéia egoística de preservar-se, não resistiu à onda de frio que se fizera violenta e tombou encharcado, sem recursos com que pudesse fazer face ao congelamento, enquanto que o companheiro, recebendo, em troca, o suave calor da criança que sustentava junto do próprio coração, superou os obstáculos da noite frígida, guardando-se indene de semelhante desastre. Descobrira a sublimidade do auxílio mútuo... Ajudando ao menino abandonado, ajudava a si mesmo avançando com sacrifício para ser útil a outrem, conseguira triunfar dos percalços da senda, alcançando as bênçãos da salvação recíproca.
A história singela deixara os discípulos surpreendidos e sensibilizados.
Terna admiração transparecia nos olhos úmidos das mulheres humildes que acompanhavam a reunião, ao passo que os homens se entreolhavam, espantados.
Foi então que Jesus, depois de curto silêncio, concluiu expressivamente:
— As mais eloqüentes e exatas testemunhas de um homem, perante o Pai Supremo, são as suas próprias obras. Aqueles que amparamos constituem nosso sustentáculo. O coração que socorremos converter-se-á agora ou mais tarde em recurso a nosso favor. Ninguém duvide.
Um homem sozinho é simplesmente um adorno vivo da solidão, mas aquele que coopera em benefício do próximo é credor do auxílio comum. Ajudando, seremos ajudados. Dando, receberemos: esta é a Lei Divina."
("Jesus no Lar", Neio Lúcio/Francisco Cândido Xavier)
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