sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

"EM PREPARAÇÃO"


“Diz o Senhor: Porei as minhas leis no seu
entendimento e em seu coração as escreverei; e eu lhes serei por
Deus e eles me serão por povo.”
Paulo. (Hebreus, 8:10)

"Traduziremos o Evangelho
Em todas as línguas,
Em todas as culturas,
Exaltando-lhe
a grandeza,
Destacando-lhe
a sublimidade,
Semeando-lhe
a poesia,
Comentando-lhe
a verdade,
Interpretando-lhe
as lições,
Impondonos
ao raciocínio,
Aprimorando o coração
E reformando a inteligência,
Renovando leis,
Aperfeiçoando costumes
E aclarando caminhos...
Mas, virá o momento
Em que a Boa Nova deve ser impressa, em nós mesmos,
Nos refolhos da mente,
Nos recessos do peito,
Através das palavras e das ações.
Dos princípios e ideais,
Das aspirações e das esperanças,
Dos gestos e pensamentos.
Porque, em verdade,
Se o Céu nos permite espalharlhe
a Divina Mensagem no mundo,
Um dia, exigirá nos convertamos
Em traduções vivas do Evangelho na Terra."

("Pão Nosso", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

"TUA MENTE"


"Entre os cuidados devidos ao corpo e a alma, recordemos o problema da
habitação.
Quanto mais instruída a pessoa, mais asseio na moradia.
Nem sempre a residência é rica do ponto de vista material. Vê-se, aí, contudo,
limpeza e ordem, segurança e bom gosto.
É imperioso porém, que o senso de higiene e harmonia não se fixe, unicamente,
no domicilio externo. Necessário que semelhante preocupação nos alcance o pouso
íntimo.
A mente é a casa do espírito.
Como acontece a qualquer vivenda, ela possui muitos compartilhamentos com
serventia para atividades diversas. E, às vezes, sobrecarregamos as dependências de
nosso lar interior com idéias positivamente inadequadas as nossas necessidades reais.
Quando preconceitos enquistados, teorias inúteis, inquietações e tensões,
queixas e mágoas se nos instalam por dentro, dilapidamos os tesouros do tempo e as
oportunidades de progresso, de vez que impedimos a passagem da corrente
transformadora da vida, através de nossas próprias forças.
Sabemos que uma casa, por mais simples, deve ser arejada e batida de sol para
garantir a saúde.
Ninguém conserva lixo, de propósito, no ambiente familiar.
Qualquer perturbação no sistema de esgoto ou na circulação de energia elétrica
representa motivos para assistência imediata.
Desde épocas remotas, combatemos a escuridão. Da tocha à candeia, da
candeia à lâmpada moderna, esmera-se o homem na criação de recursos com que se
defender contra o predomínio das trevas.
Pondera quanto a isso e não guardes, ressentimentos e nem cultives discórdias
no campo da própria alma.
Trabalha, estuda, faze o bem e esquece o mal, afim de que te arregimentes
contra o nevoeiro da ignorância.
Tua mente ― tua casa intransferível. Nela te nascem os sonhos e aspirações,
emoções e idéias, planos e realizações. Dela partem as tuas manifestações nos caminhos
da vida, e de nossas manifestações nos caminhos da vida depende o nosso cativeiro à
sombra ou a nossa libertação para a luz."

("Alma e Coração", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

"ALEGRIA"


"Alegria é o cântico das horas com que Deus te afaga a passagem no mundo.
Em toda parte, desabrocham flores por sorrisos da natureza e o vento penteia a
cabeleira do campo com música de ninar.
A água da fonte é carinho liquefeito no coração da terra e o próprio grão de areia,
inundado de sol, é mensagem de alegria a falar-te do chão.
Não permitas, assim, que a tua dificuldade se faça tristeza entorpecente nos
outros.
Ainda mesmo que tudo pareça conspirar contra a felicidade que esperas, ergue os
olhos para a face risonha da vida que te rodeia e alimenta a alegria por onde passes.
Abençoa e auxilia sempre, mesmo por entre lágrimas.
A rosa oferece perfume sobre a garra do espinho e a alvorada aguarda, generosa,
que a noite cesse para renovar-se diariamente, em festa de amor e luz."

(Meimei, na obra "Bênçãos de Amor", Espíritos Diversos/Francisco Cândido Xavier)

"O ARGUMENTO"


"Reunião pública de 22/1/60
Questão nº 29"

"Ante os amados que te não compreendem, estimarias que todos cressem
conforme crês.
Alguns jazem desesperados nas trevas do pessimismo.
Outros caem, pouco a pouco, no abismo da negação.
Há muitos que te lançam insulto em rosto, como se a tua convicção fosse
passo à loucura.
E surpreendes, em cada canto, aqueles que te falam pelo diapasão da
ironia.
Mergulhas-te, muitas vezes, no oceano revolto das palavras veementes
que os opositores, de Imediato, não podem admitir; em outras ocasiões,
desejas acontecimentos inusitados, que lhes alterem o modo de pensar e de
ser.
*
Entretanto, recordemos o Cristo.
Ninguém, quanto ele, deixou na retaguarda tantas demonstrações de poder
celeste.
Deu nova estrutura à forma dos elementos.
Apaziguou as energias desvairadas da Natureza.
Reaqueceu corpos que a morte imobilizava.
Restituiu a visão aos cegos.
Restaurou paralíticos.
Limpou feridentos.
Curou alienados mentais.
Operou maravilhas, somente atribuíveis à ciência divina.
Contudo, não foi pelos deslumbramentos produzidos que se converteu em
mentor excelso da Humanidade.
Jesus agiganta-se, na esteira dos séculos, pela força do exemplo.
Anjo — caminhou entre os homens.
Senhor do mundo — não reteve uma pedra para repousar a cabeça.
Sábio — foi simples.
Grande — alinhou-se entre os pequenos.
Juiz dos juizes — espalhou a misericórdia.
Caluniado — lançou bênçãos.
Traído — não reclamou.
Acusado — humilhou a si mesmo.
Ferido — esqueceu toda ofensa.
Injuriado — silenciou.
Crucificado — pediu perdão para os próprios ver-dugos.
Abandonado — voltou para auxiliar.
Ação é voz que fala à razão.
Se aspiras, assim, a convencer os que te rodeiam, quanto à verdade, não
olvides que, acima de todos os fenômenos passageiros e discutíveis, o único
argumento edificante de que dispões é o de tua própria conduta, no livro da
própria vida."

("Seara dos Médiuns", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

"INFINITO AMOR"


"Reunião pública de 10-2-61
1ª Parte, cap. VI, item 16"

"Diante daqueles que supunhas transviados, mesmo que se entremostrem cegos no crime,
não te confies à maldição.
Nessas horas difíceis, indagas de ti próprio onde a grande razão pela qual Deus tolera
semelhantes abusos.
***
No entanto, se a inquietação de invade, pensa em teu próprio filho, ao surgirem problemas...
Se notas infelizes lhe assinalam o estudo, sabes dar-lhe na escola o curso repetido ou
transferes o exame para segunda época.
Se foge à profissão, diligencias sempre atividades novas, para vê-lo correto e ajustado ao
dever.
Se aparece doente, angarias remédio, restaurando-lhe as forças.
Se o vício lhe corrompe as fibras da consciência, não lhe cortas os braços, mas buscas na
vida os meios necessários para que se reeduque.
Se comete erro grave, não lhe queres a morte, porquanto sentes que a compaixão te sugere
outros campos de serviço e de emenda.
***
Ainda nas circunstâncias em que o mal re pareça abarcar toda a terra, pensa no amor divino,
que sustenta as estrelas e alimenta os insetos, a fim de que percebas, vibrando em toda
parte, os apelos constantes do perdão e do auxílio.
Compreenderás, então, que a falta de alguém, hoje, pode ser nossa falta, igualmente,
amanhã.
E ao notarmos que nós, Espíritos falíveis, conseguimos amar, embora a imperfeição que nos
tisna de sombra, saberemos por fim que Deus é sempre amor, sempre Infinito Amor, na
Justiça da Lei."

("Justiça Divina", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

"A RIQUEZA REAL"


"Porque o meu Deus, Segundo as suas riquezas,
suprirá todas as vossas necessidades..."
PAULO. (Filipenses, 4:19.).

"Cada criatura transporta em si mesma os valores que amealha na vida.
Os sábios, por onde transitam, conduzem no espírito os tesouros do conhecimento.
Os bons, onde estiverem, guardam na própria alma a riqueza da alegria.
Os homens de boa-vontade carreiam consigo os talentos da simpatia.
As pessoas sinceras ocultam na própria personalidade a beleza espiritual.
Os filhos da boa-fé cultivam as flores da esperança.
Os companheiros da coragem irradiam de si mesmos a energia do bom ânimo.
As almas resignadas e valorosas se enriquecem com os dons da experiência.
Os obreiros da caridade são intérpretes da vida Superior.
A riqueza real é atributo da alma eterna e permanece incorrutível que a conquistou.
Por isso mesmo reconhecemos que o ouro, a fama, o poder e a autoridade entre os
homens são meras expressões de destaque efêmero, valendo por instrumentos de serviço
da alma, no estágio das reencarnações.
Desassisado será sempre aquele que indisciplinadamente disputa as aflições da posse
material, olvidando que há mil caminhos sem sombras para buscarmos, com o próprio
coração e com as próprias mãos, a felicidade imperecível.
A responsabilidade deve ser recebida, não provocada.
Muitos ricos da fortuna aparente da terra funcionaram na posição de verdugos do Cristo,
sentenciado à morte entre malfeitores, entretanto, o Divino Mestre, com as simples e duras
traves da Cruz, produziu, usando o amor e a humildade, o tesouro crescente da vida
espiritual para os povos do mundo inteiro."

("Ceifa de Luz", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

domingo, 18 de dezembro de 2011

"EM BUSCA DO MESTRE"


"Na noite de 18 de março de 1954, os apontamentos educativos, na fase
terminal da reunião, foram trazidos por Meimei, a irmã responsável pelas
tarefas do Grupo, que enfeixou em sua mensagem falada, aqui transcrita, todo
um poema evangélico, incentivando-nos ao trabalho de comunhão com o
Senhor."

"Aos ouvidos da Alma atormentada, que lhe pedia a comunhão com Jesus,
respondeu, generoso, o mensageiro celestial:
— Sim, em verdade reconheces no Cristo o Senhor, mas não te dispões a servilo...
Clamas por Ele, como sendo a Suma Compaixão, todavia, ainda te acomodas
com a maldade...
Não te cansas de anunciá-lo por Luz dos Séculos, entretanto, não te afastas da
sombra...
Dizes que Ele é o Amor Infinito, mas ainda te comprazes na agressividade e no
ódio...
Afirmas aceitá-lo por Príncipe da Paz e não vacilas em favorecer a discórdia...
— Contudo — suplicou a Alma em pranto —, tenho fome de consolo, no aflitivo
caminho em que se me alongam as provações... Que fazer para encontrar-lhe a
presença redentora? ....
— Volta ao combate pela vitória do bem e não desfaleças! — acrescentou o
emissário celeste. — Ele é teu Mestre, a Terra é tua escola, o corpo de carne a tua
ferramenta e a luta a nossa sublime oportunidade de aprender. Se já lhe recolheste
a lição, sê um traço dEle, cada dia... Ama sempre, ainda que a fogueira da perseguição
te elimine a esperança, estende os braços ao próximo, sem esmorecer,
ainda que o fel das circunstâncias adversas te envenene a taça de solidariedade e
carinho!... Sê um raio de luz nas trevas e a mão abnegada que insiste no socorro
fraternal, ainda mesmo nos lugares e nas situações em que os outros hajam
desistido de auxiliar... Vai! Esquece-te e ajuda no silêncio, assim como no silêncio
recolhes dEle o alento de cada instante! Não pretendas improvisar a santidade e
nem esperes partilhar-lhe, de imediato, a glória sublime! Ouve! Basta que sejas um
traço do Senhor, onde estiveres!...
Aos olhos da Alma supliciada desapareceu a figura do excelso dispensador dos
Talentos Eternos.
Viu-se, de novo, religada ao corpo, sob desalento inexprimível...
Contudo, ergueu-se, enxugou os olhos doridos e, calando-se, procurou ser um
traço do Mestre cada dia.
Correu, célere, o tempo.
Amou, tolerou, sofreu e engrandeceu-se...
O mundo feriu-a de mil modos, os invernos da experiência enrugaram-lhe a face
e pratearam-lhe os cabelos, mas um momento surgiu em que os traços do Mestre
como que se lhe gravaram no íntimo...
Viu Jesus, com todo o esplendor de sua beleza, no espelho da própria mente, no
entanto, não dispunha de palavras para transmitir aos outros qualquer notícia do
divino milagre...
Sabia tão-somente que transportava no coração as estrelas da alegria e os
tesouros do amor."

(Meimei, na obra "Instruções Psicofônicas", Diversos Espíritos/Francisco Cândido Xavier)

"O LIVRO-LIBELO"


"O distinto causídico não ocultava a ojeriza que experimentava pela Doutrina Espírita.
Fosse onde fosse, se a conversa versasse sobre algum tema de Espiritismo, escorregava
deliberadamente para o sarcasmo. “Essa história de Espiritismo só num tratado psiquiátrico”.
– dizia irônico -, e destilava pequenas difamações como quem debulhava espigas de brasas.
Tão azedo adversário se fizera, que aproveitou largo período de férias, em fazenda
silenciosa, para escrever um livro contra os postulados espíritas. Livro-acusação. Livro de
ódio. Nos serões caseiros, costumava ler para os amigos esse ou aquele trecho, em que
médiuns eram denunciados de maneira cruel. E riam-se, ele e os companheiros, entre um e
outro gole de uísque, salpicando a lama esfogueante em forma de letras.
O distinto advogado assumia as primeiras responsabilidades para enviar o volume à
editora, quando sobreveio o inesperado.
Dirigia o carro elegante, nas proximidades de um Grupo escolar, quando atarantado
pequeno, a correr desorientado, lhe cai sob as rodas.
Um passarinho sob um trator não morreria mais depressa.
Tumulto. Autoridades em cena.
Ele mesmo, suportando os impropérios do povo, apanha o cadáver minúsculo e, de
coração agoniado, busca a residência da vítima.
Em sã consciência não é culpado, mas tem o coração alanceado de intensa dor.
Chorando copiosamente, entrega o menino morto aos pais em pranto, que o recebem
sem a mínima queixa.
O pai acaricia os cabelos da criança, em silêncio, e a mãezinha ora em lágrimas.
Deseja ser humilhado, acusado, ferido. Isso, decerto, lhe diminuiria a tensão. Encontra
ali, porém, apenas resignação e a serenidade.
O advogado consulta então a família sobre a instauração do processo de indenização,
mas o chefe da família responde firme:
- Nada disso. O doutor não teve culpa alguma. Ninguém faria isso por querer... Os
desígnios de Deus foram cumpridos...
E a mãe do menino enxugando o rosto, acrescenta:
- Choramos, como é natural, mas não desejamos indenização alguma. Deus sabe o
que faz.
O causídico, de olhos vermelhos, considerou:
- Então...
- Doutor, não se preocupe... Compreendemos perfeitamente que o senhor não tem
culpa... O senhor está sofrendo tanto quanto nós... Ore conosco, a fim de acalmar-se.
Admirando-lhes a paciência cristã, indagou vacilante:
- Que religião professam?
- Nós somos espíritas – informou o pai da pequena vítima.
O advogado baixou a cabeça e ali permaneceu sensibilizado e prestimoso, até a
realização dos funerais.
E à noite, em casa, de coração opresso e transformado, fechou-se no quarto e rasgou
o livro-libelo que havia escrito."

("A Vida Escreve", Hilário Silva/Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira)