quinta-feira, 14 de junho de 2018

"SINCERIDADE"

         


  "Aqueles que dos planos de luz têm a incumbência de nos orientar e dirigir por certo não esperam de nós perfeição absoluta. Sabem que estamos presos à matéria e sujeitos ao seu campo vibratório. Pedem-nos apenas sinceridade naquilo que fazemos. Se em nosso caminho nos afastarmos das experiências que nos servirão de ensino, eles, a tempo, nos farão retroceder e entrar no verdadeiro caminho. Se palmilharmos atentos a estrada certa, alcançaremos o conhecimento que viemos para adquirir.
            Portanto, é a sinceridade que nos recoloca diante do verdadeiro dever.
            Enquanto encobrimos nossa face com a máscara das aparências, ainda que o mundo nos coloque num pedestal, nossa permanência aí será efêmera como são efêmeras nossas considerações pessoais.
            Não é o ato simplesmente que é julgado pelos seres maiores da espiritualidade, mas o sentimento que impulsionou o ato.
            É fácil parecermos gentis e ostentarmos certas atitudes espiritualizadas; o difícil é agirmos em consonância com princípios que nas nossas relações diárias nos harmonizem com nossos semelhantes, embora nem sempre sejamos aceitos.
            A sinceridade tem o dom de desagradar aqueles que ainda estão ligados a do mundo, que esperam lisonjas e desejam aplausos. A criatura sincera não se permite satisfazer a esses caprichos. Isso a leva a ser afastada do caminho dos que ainda vivem exclusivamente para ilusões vazias de sentido.
            Não precisamos ser rudes, mas devemos manter intactas nossas convicções. Importa sermos sinceros, sem condenações às ideias de ninguém.
            Inútil e ridícula, também, é a atitude de superioridade sobre os demais, como se todos estivessem errados.
            Só a sinceridade em nossos esforços nos credencia diante dos que nos guiam a evolução.
            Agir apenas com o propósito de agradar aos outros é condenarmo-nos à eterna escravidão."
(“Vem!...", Cenyra Pinto)

quarta-feira, 13 de junho de 2018

"ANSEIO"



"Admiro, Senhor,
As cataratas imponentes
Acionando turbinas,
De cuja força e majestade
O progresso desponta;
Se permites, porém,
Que algo te rogue a mais no que me concedeste,
Dê-me a simplicidade
Que puseste na fonte.

Admiro, Senhor,
O tronco alto e robusto
Que domina a montanha
E enfrenta sem receio
A tempestade, face a face;
Mas, se posso escolher,
Viverei feliz, anônima no vale,
Na condição da erva que se inclina
Para que o vento passe.

"Admiro, Senhor,
A seara no campo,
Em plena afirmação de vitória e fartura,
Recordando um céu verde
Que em pepitas douradas se constela;
No entanto, se consentes
Que me externe, mostrando o meu desejo,
Quisera ter o encargo pequenino
Da semente singela.

Admiro, Senhor,
Todas as maravilhas que criaste,
O firmamento, os sóis, os continentes,
As rochas entre as quais talhaste a Terra
Sobre imenso maciço;
Dá-me, porém, a graça da humildade,
Que eu venha a ser, no mar de Tua Glória,
Uma gota sem nome,
Ocupada em serviço."

Iveta Ribeiro, na obra "Vereda de Luz",
 Autores Diversos/Francisco Cândido Xavier

terça-feira, 12 de junho de 2018

"A ORAÇÃO EM FAMÍLIA"





"Luz inapagável passa a brilhar sobre o lar, onde perduram as vibrações da prece.

Ondas permanentes de harmonia envolvem o ambiente familiar que instala o hábito salutar da oração.

Saúde espiritual inarredável costuma penetrar as almas que, no reduto doméstico, se aliam aos benefícios da prece.
***
É lamentável o olvido a que é relegada a oração, em grande número de lares pela Terra inteira.

Mesmo em grupos familiais que envergam a rotulagem cristã, falta o aconchego maior com as Fontes Fecundas de paz em que se converte a oração.

Mais do que pode supor a pessoa que ora, a alma que se liga às faixas luminosas do diálogo com Deus absorve desse estuário bendito do Mundo Invisível as mais profundas messes de recursos aptos a sustentá-la, nas lides em que se movimenta no planeta.

Esse salutar costume de abrir-se para dizer ao Senhor o que se sente, mesmo sabendo que o Senhor sabe de todas as coisas, converte-se em exercício maduro de autoconhecimento gradual, em exercício de humildade, que eleva e bendiz a criatura.

No campo doméstico, pois, ensine a seus filhos, desde pequeninos, tão logo consigam acompanhar os pais, a entoar as palavras da prece, que, com o tempo irão compreendendo, adicionando seus próprios sentimentos, valendo-se, ao mesmo tempo, dessa norma feliz, como fuga das tormentas em si ou em torno de si, ou como bálsamo medicamentoso em face dos padecimentos físicos e morais que, acaso, lhes esbarre a caminhada terrestre.

Ensine-lhes a não fazer da prece um conjunto de palavras inócuas, das quais a sincera compenetração não faça parte.

Mostra-lhes que, por ser valiosa, a prece deve ser entoada ou emitida, em regime de função íntima, fazendo silêncio no aposento do coração, para que aprenda a ouvir as respostas das Alturas, que podem ser imediatas ou encontrar-nos pelos caminhos.
***
Afervore-se à oração em seu lar, seja na estação feliz das alegrias domésticas, seja nos momentos ou nas quadras de testemunhos difíceis.

Evite demonstrar aos seus familiares qualquer ansiedade, injustificável para quem ora.

Entregue-se, incondicionalmente, ao Pai Criador, realizando a parte que lhe cabe, nos cenários de sua vida, certo de que aquilo que, pedindo na oração, não obtiver, é que você não está no momento ideal de perceber as bênçãos que busca.
***

"Ensine aos seus que a prece não é um instrumento para barganhar com a Divindade, num regime de trocas infantil. A prece é uma forma de comunicação. Quanto mais honesta, mais alta. Quanto mais alta, melhores os seus resultados.

Independentemente de sua oração diária e íntima, aproveite o encontro de sua família, uma vez que seja por semana, em qualquer dia, em qualquer horário que possam estabelecer para a prece em conjunto.

Diante da mesa posta do Evangelho de Jesus, recolherão você e os seus os mais sublimes e valiosos recursos da Divindade, para que consigam dar conta dos múltiplos compromissos da presente reencarnação, sem perda de tempo.

Orar é nobre condicionamento, harmonizando-nos com o Infinito.

Orar em família é ver derramar-se sobre ela o cálice aurífico dos Céus, acondicionando-nos nesse imenso bojo de ventura que o Cristo traz ao nos visitar.

Ensine aos seus entes queridos a se utilizarem das formidáveis bênçãos que movimentamos para o equilíbrio e para a presença da luz em nosso cenário doméstico."
"Vereda Familiar", Thereza de Brito/Raul Teixeira

segunda-feira, 11 de junho de 2018

"O ESPIRITISMO..."





 


"O Espiritismo, finalmente, que avança pelo mundo em fora, consolando os aflitos, sustentando a coragem dos abatidos, semeando a esperança onde havia desespero, a confiança no futuro em lugar do medo![...] O Espiritismo levanta em seu rastro a poeira do orgulho, do egoísmo, da inveja e do ciúme, derrubando à sua passagem a incredulidade, o fanatismo, os preconceitos e conclamando os homens todos à lei do Cristo, isto é, à caridade, à fraternidade."
"Viagem Espírita em 1862", Allan Kardec

domingo, 10 de junho de 2018

"PARA VENCER AS TEMPESTADES DA VIDA"





"Se procuras ensejo para realizar-te, em matéria de paz e
felicidade, age e serve sempre.
No trabalho não somente surpreenderás o caminho do
aprimoramento próprio, mas igualmente a ginástica do espírito conferindo-te sustentação e segurança.
*
Lembra as águas estagnadas, o arado ocioso sob a ferrugem, a
terra de qualidade quando entregue ao mato inculto e os móveis abandonados que a poeira consome.
*
Mantém-te na melhor forma de auxiliar e socorrer, elevar e
construir.
*
No mundo, o inesperado vigia sempre.
*
Indispensável afiar os instrumentos da emoção para fazer os
imprevistos que apareçam quando as ocorrências sejam de molde a espaçar-te a sensibilidade.
*
O trabalho é a única força capaz de adestrar-nos para vencer
nos encargos que a vida nos imponha.
*
Sem atividade que as dignifique, a própria riqueza amoedada
assemelha-se à múmia emparedada no cofre, tanto quanto a cultura que não ampara os outros é uma luz escondida sem proveito para ninguém.
*
Não te iludas.
Por muito serenas se mostrem as águas em que navegamos, a
tempestade virá, um dia, testar-nos a resistência e a coragem, a criatividade e a compreensão.
*
Necessário exercitar as próprias energias, aprender algo mais,
aperfeiçoar o que se sabe e caminhar adiante.
*
Seja qual for a estrada em que te encontres não marginalizes.
Age e serve.
*
Se dificuldades maiores te alvejam o espírito, não te detenhas
porque as circunstancias te hajam colocado num labirinto de problemas dos quais ainda não conheces a estrutura.
*
Prossegue trabalhando e a mais difícil de todas as soluções te
surgirá."
(Emmanuel, na obra "Ação, Vida e Luz", Autores Diversos/Francisco Cândido Xavier)

sábado, 9 de junho de 2018

"INSTRUMENTO DOS CÉUS"





"Não são poucas as almas que mergulham nos fluidos terrenos, com labores específicos na esfera do bem, em nome do Eterno Pai, realizando os seus serviços com maior ou menor divulgação, de conformidade com a área das suas atuações.
        No estágio terrestre, o venerando “médico dos pobres”, o luminoso Adolfo Bezerra de Menezes, que, das íntimas terras do Ceará, foi desenvolver a sua lide nas paragens coloniais do Rio de Janeiro, tornou-se uma luz viva, ensinando com a sua prática o que é o real Evangelho em ação.
        Travou contato com a Doutrina Espírita, através de cujos ensinos pode estruturar a sua obra de socorro e de orientação às pessoas, com as excelências do amor e com os rasgos da bondade, que o fizeram merecedor das homenagens justas dos irmãos terrenos, quanto das alegrias e conquistas, portas a dentro das regiões infinitas do espírito liberto.
        Bezerra, embora um homem simples, não tornou-se comum, nem se fez banal, imprimindo nobreza moral aos seus atos na reencarnação consagradora.
        Bezerra, em sendo um profissional na área médica, não limitou-se às paisagens superficiais do corpo físico, mas buscou penetrar as engrenagens profundas das almas, donde procedem as bases de todos os problemas de enfermidades que explodem no soma.
        Bezerra desempenhou sua lide junto ao diálogo com os mortos, porém, não se permitiu impermeabilizar, não adotou posição arrogante, tampouco mecanizou a espiritual relação. Amou, sofreu, chorou, vibrou de todos os modos com os que com ele se defrontaram, portadores dos conflitos e dramas, os mais variados e indizíveis, nos serviços do intercâmbio mediúnico, dando valor a esses momentos singulares que o Senhor dos espíritos permite sejam vividos no mundo.
        A esse espírito feliz, instrumento bendito de Deus, nas estradas do bem, pela Terra, nossa homenagem de carinho, enquanto rumamos para os mesmos sítios, com esperança e fé, a mirar-nos nos exemplos venturosos desse venerando Apóstolo."
“Vida e Mensagem”,  Francisco de Paula Vitor/ J. Raul Teixeira

sexta-feira, 8 de junho de 2018

"DIAS AMARGOS"







  • "No bojo das horas em que estagias na romagem carnal, preparando-te, passo a passo, para a própria redenção, surgem-te dias tormentosos e difíceis, que, naturalmente fazem-te experimentar a sensação de abandono no coração.
        Há dias em que acordas sob tal estado de tensão emocional, como se não houvesses dormido toda a noite, mas  como quem manteve inglórias pelejas com adversários cruéis.  E aturdes-te, imaginando o que fazer para que se alterem essas  agonias.
        Em outros dias, sentes quão difícil se faz vencer-lhes as horas, como se carregasses pesados fardos  nos ombros macerados...  E te desesperas, admitindo-te nas últimas forças.
        Advém ocasiões em que tudo de inesperado ocorre em teu  redor:  problemas de saúde, dificuldades pecuniárias, impondo-te carências sem conto; desarmonia entre teus seres amados, fazendo-te crer que as adversidades instalaram-se em tua  morada.  E te sentes despautar, em considerando tantos  revezes...
        São antigos amigos que deixam-te as rotas , buscando novas afeições, ora são familiares a te ferirem os sentimentos  mais íntimos, com desconsiderações torturantes.          Por vezes a  tormenta irrompe no emprego: o patrão difícil, o empregado ingrato e relapso, e sentes que a mente não suportará por muito tempo tantos amargores.
        Nesses tempos de provações, nos dias amargos que te encontrarem na marcha  redentora, não te esqueças de orar, ligando-te com os Poderes Superiores que regem a Vida, e sentirás  inebriante paz a invadir-te o coração, dissipando sombras  ainda espessas.
        Unge-te de confiança em Deus, marcando a tua fé com a  perseverança no bem elegido como norma de tua existência, e verás modificarem-se situações ásperas.
        Vale-te de uma página evangélica, de uma reflexão em torno do bem, e entenderás  que no mundo, ninguém atravessa sem rudes refregas, a fim de testemunhar fidelidade ao eterno bem.
        Disse-nos o Divino Amigo:
        "Aquele que vem a mim, de modo algum lançarei fora (João, 6:37). Busca-O assim, denodadamente. Guarda-O no âmago da alma, gloriosamente, indo ao Seu encontro, a cada lance caminha adiante.
        Não valorizes o mal dos maus, nem a tormenta dos atormentadores, tampouco a falácia dos enganadores.  Ergue-te acima deles e das circunstâncias por eles criadas.
        Entrega as tuas  às mãos de Jesus Cristo, e avança com disposição e coragem.
        A noite  apavorante, se fará dia claro, se tiveres paciência.
        A taça amarga se converterá em saboroso néctar, se guardares com paciência.
        Os adversários de hoje, tornar-se-ão amigos, amanhã, se viveres com paciência.
        A paciência nos dias de testemunhos árduos, sempre deverá ser virtude ativa, atuante, fazendo-te realizar o melhor ao teu alcance, no sentido de modificares horrores, fazendo belezas.
        Se as Leis do Céu te permitem sofre, pára um pouco. Não te agites, inecessariamente, não te revoltes, nem te faças violento ou avinagrado,  levanta-te com disposição, toma a poção medicamentosa da fé e avança com Jesus, decidido e confiante, para que, seguindo ao encontro Dele, Ele te possa envolver e amparar, para que atinjas  as perenes vitórias, fazendo de tua vida um esplendente  dia de sol."
    Camilo, na obra  "Vozes do Infinito", J. Raul Teixeira/Espíritos Diversos

quinta-feira, 7 de junho de 2018

"SEPARAÇÃO"


“Todavia, digo-vos a verdade: a vós convém que eu vá.” — JESUS (João, 16.7)

Semelhante declaração do Mestre ressoa em nossas fibras mais íntimas.
Ninguém sabia amar tanto quanto Ele, contudo, era o primeiro a reconhecer a conveniência da partida, em favor dos companheiros.
Que teria acontecido se Jesus teimasse em permanecer?
Provavelmente, as multidões terrestres teriam acentuado as tendências egoísticas, consolidando-as.
Porque o Divino Amigo havia buscado Lázaro no sepulcro, ninguém mais se resignaria à separação pela morte.
Por se haverem limpado alguns leprosos ninguém aceitaria, de futuro, a cooperação proveitosa das moléstias físicas. O resultado lógico seria a perturbação geral no mecanismo evolutivo.
O Mestre precisava ausentar-se para que o esforço de cada um se fizesse visível no plano divino da obra mundial. De outro modo, seria perpetuar a indolência de uns e o egoísmo de outros.
Sob diferentes aspectos, repete-se, diariamente, a grande hora da família evangélica em nossos agrupamentos afins.
Quantas vezes surgirá a viuvez, a orfandade, o sofrimento da distância, a perplexidade e a dor por elevada conveniência ao bem comum?
Recordai a presente passagem do Evangelho, quando a separação vos faça chorar, porque se a morte do corpo é renovação para quem parte é também vida nova para os que ficam."

"Pão Nosso", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier