sexta-feira, 4 de novembro de 2011

"ENERGIA E BRANDURA"



"Na marcha do dia-dia, urge harmonizar as manifestações de nossas
qualidades com o espírito de proporção e proveito, a fim de que o extremismo não nos
imponha acidentes, no trânsito de nossas tarefas e relações.
Energia na fé; não demais que tombe em fanatismo.
Brandura na humildade; não demais que entremostre relaxamento.
Energia na convicção; não demais que se transforme em teimosia.
Brandura na humildade; não demais que degenere em servilismo.
Energia na justiça; não demais que seja crueldade.
Brandura na gentileza; não demais que denuncie bajulação.
Energia na sinceridade; não demais que descambe no desrespeito.
Brandura na paz; não demais que se acomode em preguiça.
Energia na coragem; não demais que se faça temeridade.
Brandura na prudência; não demais que se recolha em comodismo.
No caminho da vida, há que aprender com a própria vida.
Vejamos o carro moderno nas viagens de hoje; nem passo a passo,
porque isso seria ignorar o progresso, diante do motor; nem velocidade além dos limites
justos, o que seria abusar do motor para descer ao desastre e à morte prematura.
Em tudo, equilíbrio, porque, se tivermos equilíbrio, asseguraremos, em
toda parte e em qualquer tempo, a presença de caridade e paciência, em nós mesmos,
as duas guardiãs capazes de garantir-nos trajeto seguro e chegada feliz."

("Alma e Coração", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

"GUARDEMOS A BENÇÃO"


"Se a tua aflição não apóia aos que te observam;
se o pranto da queda te não auxilia a perdoar e a compreender;
se a experiência não te ensina;
se a chaga não te lega benefícios;
se a tua preocupação não serve ao bem dos demais;
se a tua responsabilidade não é sentida, vivida e sofrida;
se a tua esperança não produz alegria para os outros;
se a prova não é para tua alma a instrutora ideal;
se a amargura te não faz mais doce;
e se o sofrimento não te dá mais compreensão;
em verdade,
regressarás, apressadamente, logo depois da morte,
às lutas educativas da Terra,
porque a dor
- a divina escultora da vida -
terá sido em ti mesmo
a candeia apagada
em cinza espessa e vã."

(André Luiz, na obra "Caridade", Espíritos Diversos/Francisco Cândido Xavier)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

"DONATIVO DO CORAÇÃO"


"Todos possuímos algo para dar, seja dinheiro que alivie a penúria, instrução que
desterre a ignorância, auxilio que remova a dificuldade ou remédio que afaste a doença.
Existe, porém, uma dúvida que todos podemos compartilhar, indistintamente,
com absoluta vantagem para quem recebe e sem a mínima perda para quem dá.
Referimo-nos a benção da coragem.
Quantos terão caído de altos degraus do bem, no ápice da resistência ao mal,
por lhes faltar calor humano, através de uma frase afetuosa e compreensiva? Quantos
terão desertado de suas tarefas enobrecedoras, com evidente prejuízo para a
comunidade, precisamente na véspera de vitorioso remate, unicamente por lhes haver
faltado alguém que lhes suplementasse as forças morais periclitantes com o socorro de
um gesto amigo? E quantos outros tombam diariamente na frustração ou na
enfermidade, tão só porque não encontram senão azedume e pessimismo na palavra
daqueles de quem estão intimados à convivência?
Não te armes apenas de recursos materiais para combater o infortúnio.
Aprovisiona-te de fé viva e esperança, compreensão e otimismo, para que teu verbo se
faça lume salvador, capaz de reacender a confiança de tantos companheiros da
Humanidade, que trazem o coração no peito, à feição de lâmpara morta.
Não deixes para amanhã o momento de encorajar os irmãos do caminho no
serviço do bem.
Faze isso hoje mesmo. Estende-lhes a alma no apelo ao bem e fala-lhes da
própria imortalidade, no tesouro inexaurível do tempo e dos recursos ilimitados do
Universo. Induze-os a reconhecer as energias infinitas de que são portadores e auxilia-os
a descobrir a divina herança de vida eterna que lhes palpita no imo do espírito, ainda
mesmo quando estirados nas piores experiências.
Seja tua palavra clarão que ampare, chama que aqueça apoio que escore e
bálsamo que restaure.
Sempre que te disponha a sair de ti mesmo para o labor da beneficência, não
olvides o donativo da coragem! Ajuda ao próximo por todos os meios corretos ao teu
alcance, mas, acima de tudo, ajuda ao companheiro de qualquer condição ou de qualquer
procedência, a sentir-se positivamente nosso irmão, tão necessitado quanto nós da
paciência e do socorro de Deus."

("Alma e Coração", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

"CONFIANÇA RECÍPROCA"


"Muitos companheiros na Terra se declaram indignos de trabalhar na Seara do
Bem, alegando que não merecem a confiança do Senhor, quando a lógica
patenteia outra coisa.
*
Se o Senhor não te observasse o devotamento afetivo, não te entregaria a
formação da família, em cuja intimidade, criaturas diversas te aguardam carinho e
cooperação; Se não te apreciasse o espírito de responsabilidade, não te permitiria
desenvolver tarefas de inteligência, através das quais influencias grande número
de pessoas; Se não acreditasse em tua nobreza de sentimentos, não te induziria a
sublimar princípios e atitudes, na realização das boas obras, com as quais
aprendes a estender-lhe, no mundo, o reino de Amor; e não te reconhecesse o
senso de escolha, não te levaria a examinar teorias do bom e do mal, para que
abraces livremente o próprio caminho; se não te aceitasse o discernimento, não te
facultaria a obtenção desse ou daquele título de competência, com o qual
consegues aliviar, melhorar, instruir ou elevar a vida dos semelhantes.
*
Se o Senhor não confiasse em ti, não te emprestaria o filho que educas, a afeição
que abençoas, o solo que cultivas, a moeda que dás.
*
"Não cai uma folha de árvore sem que o Pai o queira", ensinou-nos Jesus.
*
Toda possibilidade da criatura, na edificação do bem, é concessão do Criador. O
crédito vem do pai supremo; a aplicação com as responsabilidades conseqüentes
diz respeito a nós.
Sempre que te refiras aos problemas da fé, não te fixes tão-somente na fé que
depositas em Deus. Recorda que Deus, igualmente confia em ti."

(Emmanuel, na obra "Coragem", Espíritos Diversos/Francisco Cândido Xavier)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

"DECÁLOGO DO BOM ÂNIMO"



"1 - Dificuldades? Não perca tempo, lamuriando. Trabalhe.
2 - Críticas? Nunca aborrecer-se com elas. Aproveite-as no que mostrem de útil.
3 - Incompreensões? Não busque torná-las maiores, através de exigências e
queixas. Facilite o caminho.
4 - Intrigas? Não lhes estenda a sombra. Faça alguma luz com o óleo da caridade.
5 - Perseguições? Jamais revidá-las. Perdoe esquecendo.
6 - Calúnias? Nunca enfurecer-se contra as arremetidas do mal. Sirva sempre.
7 - Tristezas? Afaste-se de qualquer disposição ao desânimo. Ore abraçando os
próprios deveres.
8 - Desilusões? Por que debitar aos outros a conta de nossos erros? Caminhe
para frente, dando ao mundo e à vida o melhor ao seu alcance.
9 - Doenças? Evite a irritação e a inconformidade. Raciocine nos benefícios que
os sofrimentos do corpo passageiro trazem à alma eterna.
10 - Fracassos? Não acredite em derrotas. Lembre-se de que, pela bênção de
Deus, você está agora em seu melhor tempo – o tempo de hoje, no qual você
pode sorrir e recomeçar, renovar e servir, em meio de recursos imensos."

("André Luiz, na obra "Coragem", Espíritos Diversos/Francisco Cândido Xavier)

"VIDA E POSSE"


"Não é a vida mais que o alimento ?" – Jesus –
(Mateus, 6:25.)

"Aconselha-te com a prudência para que teu passo não ceda à loucura.
Há milhares de pessoas que efetuam a ramagem carnal, amontoando posses exteriores,
à gana de ilusória evidência.
Senhoreiam terras que não cultivam.
Acumulam ouro sem proveito.
Guardam larga cópia de vestimenta sem qualquer utilidade.
Retém grandes arcas de pão que os vermes devoram.
Disputam remunerações e vantagens de que não necessitam.
E imobilizam-se no medo ou no tédio, no capricho maligno ou nas doenças imaginárias,
até que a morte lhes reclama a devolução do próprio corpo.
Não olvides, assim, a tua condição de usufrutuário do mundo, e aprende a conservar no
próprio íntimo os valores da grande vida.
Vale-te dos bens passageiros para estender o bem eterno.
Aproveita os obstáculos para incorporar a riqueza da experiência
Não retenhas recursos externos de que não careças.
Não desprezes lição alguma.
Começa a luta de cada dia, com o deslumbramento de quem observa a beleza pela
primeira vez e agradece a paz da noite como quem se despede do mundo para transferirse
de residência.
Ama pela glória de amar.
Serve sem prender-te.
Lembra-te de que amanhã restituirás à vida o que a vida te emprestou, em nome de
DEUS, e que os tesouros de teu espírito serão apenas aqueles que houveres amealhado
em ti próprio, no campo da educação e das boas obras."

("Palavras da Vida Eterna", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

"PELOS FRUTOS"


“Por seus frutos os conhecereis..”

Jesus (Mateus, 7:16)


"Nem pelo tamanho.
Nem pela configuração.
Nem pelas ramagens.
Nem pela imponência da copa.
Nem pelos rebentos verdes.
Nem pelas pontas ressequidas.
Nem pelo aspecto brilhante.
Nem pela apresentação desagradável.
Nem pela antiguidade do tronco.
Nem pela fragilidade das folhas.
Nem pela casca rústica ou delicada.
Nem pelas flores perfumadas ou inodoras.
Nem pelo aroma atraente.
Nem pelas emanações repulsivas.
Árvore alguma será conhecida ou amada pelas aparências exteriores, mas
sim pelos frutos, peja utilidade, pela produção.
Assim também nosso espírito em plena jornada...
Ninguém que se consagre realmente à verdade dará testemunho de nós pelo
que parecemos, pela superficialidade de nossa vida, pela epiderme de nossas atitudes
ou expressões individuais percebidas ou apreciadas de passagem, mas sim pela
substância de nossa colaboração no progresso comum, pela importância de nosso
concurso no bem geral.
— "Pelos frutos os conhecereis" — disse o Mestre.
— "Pelas nossas ações seremos conhecidos" — repetiremos nós."

("Fonte Viva", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)


"DEVER CRISTÃO"


"Rossi e Alves eram diretores de conhecido templo espírita e davam-se muito bem na vida particular.
Afinidade profunda. Amizade recíproca. Sempre juntos nas boas obras, integravam-se perfeitamente
no programa do bem.
Alves, com desapontamento, passou a saber que Rossi, nas três noites da semana sem atividades
doutrinárias, era visto penetrando a porta de uma casa evidentemente suspeita, lugar tristemente
adornado para encontros clandestinos de casais transviados.
Persistindo semelhante situação por mais de um mês, Alves, certa noite, informado de que o amigo
entrara na casa referida, veio esperá-lo à saída.
Dez, onze, meia-noite...
Alguns minutos depois de zero hora, Rossi saiu calmo e o amigo abordou-º
- Meu caro – advertiu Alves, sisudo _, não posso vê-lo reiteradamente neste lugar. Você é casado,
pai de família e, além de tudo, carrega nos ombros a responsabilidade de mentor em nossa Casa.
Nada podemos condenar, mas você não ignora que álcool e entorpecentes, aí dentro, andam em
bica...
Rossi coçou a cabeça num gesto característico e observou:
- Não há nada. Estou apenas cumprindo um dever cristão.
- Dever cristão?
- Sim, a filha de um dos meus melhores amigos está freqüentando este circulo. Jovem inexperiente.
Ave desprevenida em furna de lobos. Enganada por lamentável explorador de meninas, acreditou
nele... Mas a batalha está quase ganha. Convidei-a a pensar. Há mais de um mês prossegue a luta.
Hoje, porém, viu com os próprios olhos o logro de que é vítima. Acredito que amanhã surgirá
renovada...
E ante os olhos desconfiados do amigo:
- Você sabe. É preciso agir, sem rumor, sem escândalo. Quem sabe? Talvez em futuro próximo a
invigilante pequena possa encontrar companheiro digno. E ser mãe respeitada.
Alves riu-se às pampas, de maneira escarninha, e falou:
- Vou ver se é verdade.
- Não, não! Não vá! – pediu Rossi, em suplica ansiosa.
- Tem medo de ser apanhado em mentira? – disse Alves, com a suspeita no rosto.
E sem mais nem menos entrou casa adentro encontrando, num pequeno salão, sua própria filha
chorando ao pé de um cavalheiro desconhecido..."

("A Vida Escreve", Hilário Silva/Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira)